Resenha: O Acerto de Contas de Uma Mãe - Sue Klebold

04:53

Sinopse: Em 20 de abril de 1999, Eric Harris e Dylan Klebold se armaram com pistolas e explosivos e entraram na Escola de Ensino Médio de Columbine, na cidadezinha de Littleton, Estados Unidos. Em questão de minutos, mataram doze estudantes e um professor e feriram outras vinte e quatro pessoas, antes de tirar a própria vida. Desde então, Sue Klebold, mãe de Dylan, convive com a dor e a vergonha indescritíveis por aquele dia. Como seu filho, o jovem promissor que ela criou com tanta dedicação, pôde ser responsável por tamanho horror? E como, convivendo com ele diariamente, ela não percebeu que havia algo errado? Houve sinais sutis que ela não captou? O que ela poderia ter feito diferente? Essas são perguntas com que Sue se debate todos os dias desde a tragédia de Columbine. Em O Acerto de Contas de Uma Mãe, ela narra com honestidade rigorosa sua jornada para tentar lidar com o incompreensível. Na esperança de que os insights e o entendimento que ela obteve ao longo dos anos possam ajudar outras famílias a reconhecer quando um adolescente está com problemas, Sue conta sua história na íntegra, recorrendo a seus diários pessoais, aos vídeos e escritos que Dylan deixou e a inúmeras entrevistas com especialistas em saúde mental.
*Livro cedido em parceria com a Editora Verus para divulgação.

Como diz acima na sinopse, em 1999, Eric Harris e Dylan Klebold fizeram uma chacina no colégio onde estavam prestes a se formar, o colégio Columbine. Foi um evento que marcou muito a história não só das vitimas e das famílias em geral que perderam seus filhos, mas também a história da pequena cidade Littleton.

Nesse livro, Sue Klebold, a mãe de Dylan, nos apresenta toda sua trajetória desde a tragédia em que seu filho matou diversos alunos e professores da escola e depois se matou. Sue nos mostra aqui como foi a criação de Dylan e sua tamanha indignação pelo filho ter feito tudo o que fez, sua culpa, remorso, saudade, angústia e pensamentos aflitos ao lembrar daquele dia, e principalmente seu arrependimento por não ter impedido aquilo, por mais que não estivesse ao seu alcance.


Essa é uma resenha muito difícil de ser escrita. Assim que vi esse livro, fiquei muito curiosa pois ouvi falar bem pouco sobre o acontecimento, mas com certeza quis saber mais, afinal, é uma história onde muita coisa pode ser explicada ou deduzida e é isso que Sue tenta fazer ao escrever seu relato que diga-se de passagem, me marcou e comoveu em inúmeros momentos.

É muito triste ler as palavras de Sue, pois me coloquei em sua pele na maioria das páginas. Imaginem só você criar perfeitamente bem um filho, com a melhor educação - tanto escolar quanto em casa - e sempre imaginando que está tudo bem com ele apesar de certos pontos que todo adolescente passa e de repente descobrir que seu filho acaba de matar pessoas á mão armada.

Sue conta com detalhes episódios da infância de Dylan e também do colégio, sobre suas amizades, seu comportamento e vivência no geral, ressaltando alguns acontecimentos que na opinião dela podiam ter sido sinais sobre o que ele viria a fazer. Descobrimos também no livro que Dylan sofria bullying e no seu diário mostra o quanto o jovem estava sentindo-se depressivo e com indícios de querer se matar.

O livro aborda diversas questões muito fortes, de um modo que me fez querer ler cada página com muita atenção, pois são assunto que sempre considerei que deveriam ser mais abordado em todos os lugares, discutidos e trabalhados com mais profundidade. Assuntos como depressão, bullying, suicídio e ansiedade, ou seja, doenças psicológicas que a autora faz questão de frisar que se fossem vistas como doenças biológicas - câncer, aids, entre outras - provavelmente o mundo seria melhor e o suicídio aconteceria bem menos do que acontece hoje em dia, principalmente entre jovens.

O livro conseguiu ter toda a minha atenção e reflexão sobre como devemos dar mais atenção as pessoas que convivem com nós, sobre como a tristeza pode se apoderar de uma pessoa e passar totalmente despercebida pela própria família, ás vezes intencionalmente e ás vezes por falta de interesse nosso. 


Sue Klebold se mostrou uma verdadeira guerreira, assim como sua família, por ter superado esse episódio tão devastador, foi uma luta intensa que demorou a ser superada e talvez nunca seja superada de fato por ela e pelas famílias que perderam seu ente querido naquele dia, mas que com muita força de vontade, conseguiram seguir em frente. Sue foi julgada por muitos por ser mãe do assassino mas o mais comovente, foi ver quantas pessoas estavam lá a apoiando e imaginando a dor de uma mãe depois da tragédia.

Foi uma obra extremamente comovente e bem escrita em memória daqueles que se foram - inclusive Dylan e Eric - e que imagino ter feito muitos refletirem e levar mais a sério assuntos que estão presentes o tempo todo em nosso cotidiano, assuntos que devem ser tratados para evitar mais tragédias como essa. Foi um prazer ter conhecido Sue através desse livro e poder sofrer junto com ela e concordar com cada pensamento.

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16 comentários

  1. Olá
    Uau, eu não sabia desse livro, se não já comprado, isso é uma coisa muito interessante de conhecer, saber como fica a vida de quem fica. Como é a vida dessa mãe (poderia ser o pai, a esposa, filho) depois que o filho (marido, pai) tem um surto assassino suícida, afinal eles ficam e a vida deles continua com esse peso a mais para carregar.

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  2. Esse livro deve ser muito forte, ainda mais por se tratar de uma história real. Não sabia desse caso, mas fiquei curiosa em ler o livro para saber um pouco mais sobre esses assuntos que infelizmente estão estampando jornais e revistas (homicídio, suícidio, depressão, bullying e etc). Leio bastante sobre esse tema e fiquei com vontade de ler o livro.

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  3. Eu não tinha ideia da existência desse livro. Cheguei a vê noticiários sobre a chacina e imagino a dor que essa mãe deve carregar e querendo ou não, seus relatos é também uma forma de se libertar da estigma que a atitude do filho deixou. Imagino o quão comovente a história deve ser, fiquei bem curiosa para saber mais.
    Bjim!
    Tammy

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  4. Oi Catharine!
    Que livro profundo!
    Não conhecia a obra e até me espantei com ela tendo sido publicada pela Verus, que é um selo da Record que foca mais no YAs romances e fantasticos. Parece uma história muito forte realmente. Fiquei curioso, não vou mentir. Senti a sensação da obra só pelo que falou e tratando dessa relação mãe e filho, não esperaria nada menos do que comovente.
    Vou procurar mais sobre ele.

    Abraços
    David
    http://territoriogeeknerd.blogspot.com.br/

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  5. Oi, eu não conhecia o livro, mas parece ser bem profundo e denso de ler e resenhar, pois não parece ser facil ler um relato de uma mãe em que seu filho tirou vidas e depois tirou a propria. Deve ser um livro sofrido e pesado, mas necessario, além de comovente, mas não sei se leria, pois não sei se estaria preparada para ler os relatos dessa mãe. Gostei da resenha, vou anotar a dica e num futuro lerei.
    bjus

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  6. Olá,
    não conhecia o livro. Me parece ser um conteúdo denso e intenso. Como estou grávida agora, acho que não é um momento de uma leitura assim rsrsrs.
    Mas acho que é uma proposta interessante, pelo menos de acordo com sua resenha.
    Beijos
    www.estilogisele.com.br

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  7. Olá!
    Eu não conhecia esse livro. Amei essa resenha, ficou perfeita.
    Eu vou comprar esse livro pois, já havia escutado e assistido essa tragédia nos noticiários e agora posso saber mais a fundo o que realmente aconteceu e como essa mãe fez para sobreviver depois de tamanha dor.
    Obrigada pela dica.
    Beijos.

    meumundosecreto

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  8. Eu lembro da época que aconteceu essa chacina, lembro que foi bem impactante e ao mesmo tempo estarrecedor. Desconhecia completamente dessa obra e achei instigante de poder conhecer e ler sobre os principal responsável por aquele fatídico dia.

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  9. Somente lendo sua resenha eu já chorei. Esse livro tem um enredo muito forte e que com toda a certeza me traria um grande mal estar durante a leitura pois eu sou mãe e sempre fico preocupada com meus filhos. Não posso é nem quero imaginar a dir dessa mãe. É assustador demais.
    Vou deixar a dica passar.
    BJ

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  10. Olá, pelo nome e pela capa eu até achei que poderia ser um livro de auto ajuda, mas ainda bem que li essa resenha pois agora estou doida para ler sobre esse livro fascinante.
    Nós vemos certas coisas acontecer e sempre tiramos nossas próprias conclusões sobre elas, saber a versão de quem estava ali dentro é sempre bom.
    ótima resenha.

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  11. Nossa! Que história forte.
    Eu assisti a reportagem que passou na época.
    Não imaginava que existe um livro falando sobre.
    http://oblogcaentrenos.blogspot.com.br/

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  12. Esse sim é um livro que eu tenho que ler! Quando acontece uma coisa dessas, o que não falta é gente pra pontar o dedo e julgar: é um louco, não presta, a culpa é da família etc. Longe de querer passar a mão na cabeça de assassino, ou de querer justificar o injustificável, eu acho uma atitude muito humana e coerente dá voz à família do agressor, claro sem esquecer de dar voz às vítimas também, para tentar entender o que aconteceu e como poderia ser evitado. Gostei muito de sua mensagem sobre ele: "O livro conseguiu ter toda a minha atenção e reflexão sobre como devemos dar mais atenção as pessoas que convivem com nós, sobre como a tristeza pode se apoderar de uma pessoa e passar totalmente despercebida pela própria família, ás vezes intencionalmente e ás vezes por falta de interesse nosso." e concordo 100%, muitos suicídios poderiam ser evitados se as pessoas prestassem mais atenção nas suas famílias, e entendem o que eles tentam falar sem saber como.

    Muito boa mesmo sua indicação, parabéns!!

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  13. Genteeeee que livro é esse?????
    Nunca tinha ouvido falar no livro ou nessa tragédia, na verdade, ouvi algumas tragédias assim, mas não sei se essa é uma delas, mas enfim acho que também me colocaria na pele dessa mãe, e para falar a verdade eu leria esse livro um ano atras, mas hoje não. Acho que não consigo nem mesmo imaginar o que essa mãe sentiu, não quero me colocar na pele dela.
    Adorei sua resenha, ficou realmente muito bem escrita.

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  14. Nossa, parece ser um livros daquele de tirar o fôlego... Que te faz pensar na vida, na família,na criação do seus filhos. Não consigo nem imagina o sofrimento desse mulher, no que ela teve que passar depois do acontecimento, em todos os julgamentos...
    Gostei muito da sua resenha, despertou a vontade de ler.

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  15. Nossaaaa, que forte...intenso

    Complicado conseguir imaginar o que sente uma mãe no lugar dessa.

    Complicado conseguir só lendo a resenha simpatizar com esses meninos. Assim como é difícil não se solidarizar com essa mãe.

    Leitura complicada. Parabéns pela resenha! E por ler um livro assim tão impactante.

    Bjs

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  16. Nossaaaa, que forte...intenso

    Complicado conseguir imaginar o que sente uma mãe no lugar dessa.

    Complicado conseguir só lendo a resenha simpatizar com esses meninos. Assim como é difícil não se solidarizar com essa mãe.

    Leitura complicada. Parabéns pela resenha! E por ler um livro assim tão impactante.

    Bjs

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